entre viajantes, invernos e cidades: duas obras de italo calvino

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2015
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Abstract
Esse ensaio pretende realizar uma leitura comparada entre duas obras de Calvino, As cidades invisíveis e Se um viajante numa noite de inverno, observando como se configuram os movimentos de interrupção e transbordamento ali presentes. O recurso do “cancelamento sucessivo” em Se um viajante numa noite de inverno (cujo limite é o “cancelamento do mundo”) pode operar como um “falso duplo” dos desdobramentos sucessivos de As cidades invisíveis, em sua complexa alegorização a partir de territórios tão infinitos quanto a memória, o desejo, os símbolos, as trocas, os mortos e o céu. Se de um lado (o do “viajante”) temos cortes sucessivos e abruptos que se desdobram em sempre novas operações decisórias e respectivos cortes, como o próprio Calvino reconheceu, de outro (o do “espaço percorrido pelo viajante”) temos um único tema (a cidade) dobrando-se sobre si mesmo em progressão (quase) geométrica. Entre um movimento e outro, o “catálogo indicativo das atitudes existenciais que conduzem a outros tantos caminhos obstruídos” sugerido pelo autor se mostra como um horizonte de desejo impossível, como uma engenhosa metáfora para algo que está entre o movimento do viajante e a imobilidade da paisagem, entre o corte e a multiplicação, entre o que sempre muda e o que nunca se movimenta. O intervalo liminar que todos esses recursos encenam e simbolizam é multiplicado (ou encerrado?) na trama de faltas e excessos que é potencializada por cada um dos livros, fazendo da experiência do indizível e da intraduzibilidade da experiência a força narrativa e poética dessas duas obras, e de tudo o que pode ser tecido entre elas.
Reference Key
monteiro2015anurioentre Use this key to autocite in the manuscript while using SciMatic Manuscript Manager or Thesis Manager
Authors ;Rebecca Pedroso Monteiro
Journal south african journal of human resource management
Year 2015
DOI
10.5007/2175-7917.2015v20nesp1p170
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